Manifesto pela Soberania Latino-Americana





Samara Melo | Janeiro de 2026




Não defendemos governos. Defendemos princípios. Defendemos o direito inalienável dos povos à autodeterminação, à soberania territorial e à escolha de seus próprios caminhos políticos, sem coerção econômica, militar ou diplomática. Rejeitamos a normalização da intervenção estrangeira sob qualquer pretexto moral seletivo. A história demonstra que tais intervenções nunca libertaram povos — apenas reorganizaram domínios.

Denunciamos a hipocrisia de uma ordem internacional que proclama igualdade entre Estados, mas tolera a violação sistemática dessa igualdade quando interesses estratégicos estão em jogo. Denunciamos o uso da democracia e dos direitos humanos como instrumentos de guerra política. Direitos não podem ser impostos por bombardeios, sanções ou ocupações.

Alertamos que a Venezuela é apenas um capítulo de um processo mais amplo. Hoje é Caracas. Amanhã pode ser La Paz, Quito, Manágua — ou Brasília. Países ricos em recursos naturais e pobres em poder militar não são frágeis por acaso: são mantidos assim.

Convocamos a América Latina a romper com a ilusão da neutralidade passiva. A soberania não se preserva apenas com discursos diplomáticos, mas com integração regional real, cooperação estratégica e consciência histórica. Um continente dividido é um continente vulnerável.

Este manifesto não é um chamado à guerra, mas um chamado à lucidez. A paz verdadeira não se sustenta na submissão, mas no equilíbrio. E não há equilíbrio possível quando a força decide sozinha quem merece existir como nação soberana.

A Venezuela não é exceção. É aviso.

Ou a América Latina compreende isso agora, ou continuará assistindo, em silêncio, à repetição de sua própria história.

Comentários

  1. A desunião reina nas Américas e nos deixa a mercê dos ambiciosos.

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